Arquitetura 101: Iluminação zenital
- Julia Fernandes

- 30 de nov. de 2020
- 4 min de leitura
Iluminação zenital é aquela iluminação que vem de cima, ou seja, que vem do céu (zênite). É uma técnica utilizada para permitir que a luz natural penetre no ambiente através de pequenas ou grandes aberturas criadas na cobertura de uma edificação. Estas aberturas podem ser feitas em formas de lanternim, shed, claraboia, etc.
É uma abordagem passiva de conforto lumínico e térmico, já que melhora a iluminação interna através do uso da luz natural, o que proporciona uma economia de energia elétrica. Também pode estimular a ventilação natural, caso seja implementada através de um lanternim, renovando o ar e evitando o uso de ventilador ou ar condicionado. Porém, é importante destacar que a iluminação zenital NÃO é recomendada para todos os tipos de projetos em todas as localizações do globo terrestre. Esta abordagem pode esquentar o ambiente a depender da dimensão da abertura, a região, a orientação solar do imóvel e até mesmo a pintura e revestimento do ambiente.
Fique atento: Utilizar a iluminação zenital direta em locais muito quentes pode causar enorme desconforto térmico. Desta forma seu uso não é recomendado em ambientes de longa permanência, pois a incidência de raios solares - e calor - será muito elevada, deixando o ambiente constantemente quente e desconfortável. Sendo assim, o empreendimento, ou o ambiente, deverá ser resfriado com ar condicionado ou ventilador para que se torne termicamente confortável, o que muitas vezes pode nem ser suficiente a depender da extensão de superfície transparente por onde adentra a iluminação zenital. Nestes casos, é mais interessante não utilizar iluminação zenital e utilizar iluminação artificial através de lâmpadas LED, onde o consumo de energia é baixo. Caso contrário, será necessário a utilização de ar condicionado, o que elevará bastante o consumo de energia do projeto.
Este fato pode ser comprovado no Aeroporto Internacional do Recife: A escolha dos materiais e da arquitetura do Aeroporto foi pensada em mesclar e integrar as questões de conforto ambiental. Fato que se confirma, parcialmente, através da ideia de utilizar iluminação natural no REC. Para isto, foi necessário o uso de diversos tipos de vidros na construção do TPS - Terminal de Passageiros. Vidros laminados não refletivos, vidros cristalizados, vidros insulados, temperados, laminados. A escolha dos tipos de vidro e questões de tratamento de insolação foi toda baseada na intenção de possuir um edifício que fosse, em grande parte, recoberto de vidro. O REC, ainda, foi construído com a intenção de ser um edifício inteligente. Por isto, possui um Sistema Sabios, que transforma o prédio em autônomo, com sensores que evitam gastos de energia com refrigeração em ambientes que não estão sendo utilizados, ao mesmo tempo que procura controlar a temperatura em ambientes que estão com temperaturas acima da faixa confortável, deixando-os mais confortável aos usuários. Este sistema revela que uma das áreas mais termicamente desconfortáveis do aeroporto são as que estão sobre influência direta da iluminação zenital proveniente do mosaico de vidros da claraboia. Como resposta, o sistema inteligente do Aeroporto insufla ar gelado no local, para que os usuários não sintam desconforto térmico. Consequentemente consumindo mais energia para solucionar um problema advindo de uma abordagem arquitetônica sustentada na ideia de otimização de iluminação natural.
Reforçando a ideia de design sustentável e de baixo consumo energético, segundo engenheiros do REC, a iluminação artificial do Aeroporto é composta por lâmpadas LED, o que resulta em um consumo muito baixo de energia para iluminação artificial do TPS. Já o ar condicionado, por sua vez, é o item que mais utiliza energia elétrica no Aeroporto. Dado os fatos, seria muito mais ecologicamente justificável se o projeto do Aeroporto não possuísse a claraboia toda em vidro, que independente de isolamento térmico dos vidros, vai deixar o ambiente mais quente, forçando o edifício a gastar mais com refrigeração do que ele gastaria com iluminação artificial para compensar a não utilização de iluminação zenital. A claraboia toda em vidro permite que um excesso de ganho solar infiltre edifícios em períodos em que o aquecimento não é necessário, em Recife, no caso, durante todo o ano.
Essa abordagem exige uma compreensão detalhada das maneiras nas quais determinados recursos arquitetônicos influenciam no funcionamento geral do edifício, para que sua incorporação atinja seu propósito sem entrar em conflito com outros objetivos essenciais, inclusive mais relevantes. Neste sentido, cabe o questionamento em torno da escolha da “casca de vidro”, mais especificamente da claraboia toda em vidro e se sua utilização pode ser justificada pelas questões ecológicas com pretexto de otimizar iluminação natural. No caso do Aeroporto deve-se indagar até que ponto a escolha de algumas abordagens projetuais foram puramente estéticas, que por sua vez foram disfarçadas de funcionalidade ecológica.
Se você quiser saber mais, pode mandar
um email para contato@greenest.com.br.
Até mais,
Julia.
Referências
CAU. Iluminação Zenital. Disponível em: <https://arquiteturaurbanismotodos.org.br/iluminacao-zenital/>
OLIVEIRA, J. C. F. de. Plano de Sustentabilidade do Aeroporto Internacional do Recife/Gilberto Freyre. 2018. 119 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Arquitetura e Urbanismo). Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. Universidade Federal de Pernambuco, Recife.
Viva Decora. Gosta de luz natural? Saiba como a iluminação zenital pode transformar um ambiente. Disponível em: <https://www.vivadecora.com.br/pro/iluminacao/iluminacao-zenital/#:~:text=O%20que%20é%20iluminação%20zenital,e%20residências%20com%20ambientes%20amplos.>
IMAGEM:
Archdaily. A atmosfera criada pela iluminação zenital em 20 projetos de arquitetura. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/911223/a-atmosfera-criada-pela-iluminacao-zenital-em-20-projetos>




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